Hidrocele em adultos é uma condição urológica comum que afeta o aparelho urinário masculino, especialmente a região escrotal. Caracteriza-se pelo acúmulo anormal de líquido ao redor do testículo, no interior do escroto, provocando aumento de volume e desconforto local. Embora muitas vezes benigno, o diagnóstico e manejo adequado são essenciais para garantir alívio dos sintomas, evitar complicações e descartar outras doenças que possam se manifestar com sintomas semelhantes, como varicocele, câncer urológico ou infecções. Nesta análise aprofundada, vamos destrinchar aspectos fundamentais do hidrocele em adultos, incluindo suas causas, diagnóstico clínico, opções terapêuticas e implicações para a qualidade de vida, sempre ancorados nas diretrizes da Sociedade Brasileira de Urologia (SBU), informações do Conselho Federal de Medicina (CFM), INCA e referências internacionais da AUA e EAU.
Entendendo o Hidrocele em Adultos: Definição e Etiologia
Antes de explorar o manejo clínico, é importante compreender a natureza do hidrocele. Trata-se de uma coleção serosa, geralmente transparente, que se acumula no espaço entre as camadas da túnica vaginal, a membrana que envolve o testículo. A hidrocele pode ser classificada em: congênita, prevalentemente em crianças, e adquirida, que ocorre em adultos por diversos motivos.
Causas do hidrocele em adultos
Em adultos, as principais causas do hidrocele incluem:
- Hidrocele idiopática: sem causa aparente, é a forma mais comum, envolvendo um desequilíbrio entre produção e reabsorção de líquido no escroto.
- Trauma escrotal: lesões locais podem desencadear inflamação e acúmulo líquido.
- Infecções: epididimite, orquite ou processos inflamatórios associados ao infecção urinária podem levar ao desenvolvimento do hidrocele.
- Câncer testicular: neoplasias malignas, embora raras, necessitam ser descartadas através de avaliação cuidadosa, com exames complementares como ultrassonografia e marcadores tumorais.
- Cirurgias e procedimentos urológicos: pós-operatório de cirurgias como vasectomia e herniorrafia pode estar associado ao surgimento de hidrocele.
- Doenças sistêmicas: insuficiência cardíaca congestiva, cirrose hepática e outras condições que cursam com edema periférico podem levar a manifestações secundárias no escroto.
Aspectos fisiopatológicos
O equilíbrio na produção e reabsorção do líquido peritesticular assegura o ambiente ideal para o funcionamento testicular. Quando a túnica vaginal apresenta alguma disfunção, como aumento da permeabilidade vascular ou obstrução do drenagem linfática, ocorre o acúmulo de líquido, dando origem ao hidrocele. Esse processo também pode estar relacionado a inflamação local ou sistemas imunológicos alterados que modificam a permeabilidade dos vasos.
Relação com outras condições do aparelho urinário
Embora hidrocele esteja localizado no escroto, é fundamental reconhecer que pacientes com disfunções em outras regiões do aparelho urinário, como próstata (hiperplasia benigna ou câncer), podem raramente apresentar sintomas associados relacionados à pressão intra-abdominal ou processos inflamatórios sistêmicos. Portanto, o histórico clínico deve abranger avaliação para patologias como hiperplasia prostática, cálculos renais, e até mesmo sintomas associados de disfunção erétil ou incontinência urinária para um diagnóstico abrangente.
Diagnóstico Preciso do Hidrocele: Exames Clínicos e de Imagem
O diagnóstico preciso do hidrocele em adultos é crucial para distinguir esta condição de outras patologias testiculares ou escrotais, que demandam tratamentos diferentes e podem apresentar maior gravidade clínica. A avaliação pode ser dividida em exame clínico detalhado e exames complementares, seguindo protocolos estabelecidos pelo CFM e SBU.
Exame físico e sinais clínicos
O exame físico é o primeiro e mais importante passo. O paciente apresenta geralmente aumento de volume escrotal, unilateral ou bilateral, com consistência mole e superfície lisa. A transiluminação, técnica clínica onde uma luz é projetada através do escroto, ajuda a confirmar que o conteúdo é líquido, uma vez que há passagem da luz, diferentemente do conteúdo sólido, como tumores ou hérnia.

Sintomas associados podem incluir sensação de peso ou desconforto local, principalmente após longos períodos em pé, mas em muitos casos o hidrocele é assintomático e encontrado durante exame de rotina.
Ultrassonografia escrotal: o exame padrão-ouro
A ultrassonografia escrotal é o exame complementar inicial e fundamental para confirmação diagnóstica. Permite avaliação detalhada da quantidade de líquido, características do conteúdo e exclusão de massas sólidas, trombose venosa, tumores ou coleções infecciosas.
Este exame também é importante para diferenciar hidrocele de outras condições, como varicocele, que apresentam dilatação varicosa venosa, ou presença de tumores que podem exigir biópsia prostática ou cistos dentro do escroto.
Outros exames necessários
Dependendo da suspeita clínica, podem ser solicitados exames adicionais:
- Exames laboratoriais: hemograma para avaliar infecção, marcadores tumorais como alfafetoproteína e β-HCG para descartar câncer testicular.
- Cistoscopia: em casos com sintomas urinários associados, para avaliação da uretra e bexiga.
- PSA: para avaliação prostática em pacientes com sintomas urinários concomitantes.
Opções de Tratamento do Hidrocele em Adultos: Da Observação Cirúrgica à Medicina Avançada
Entendendo o impacto do diagnóstico, o tratamento do hidrocele em adultos visa aliviar sintomas, impedir progressão e prevenir complicações. Embora alguns casos possam ser monitorados, a maioria requer intervenção, especialmente quando o desconforto ou impacto funcional são significativos.
Conduta conservadora e suas limitações
Nos casos assintomáticos ou de pequeno volume, a recomendação inicial pode ser a observação sem intervenção imediata, com acompanhamento clínico periódico para avaliar evolução. Porém, não é um tratamento definitivo e deve ser balanceado com o risco de aumento do volume e potencial desconforto.
Drenagem do líquido: indicativos e riscos
A punção e drenagem do líquido escrotal pode oferecer alívio temporário, mas não é indicada como tratamento definitivo, pois há alta taxa de recidiva e risco de infecção. Essa abordagem pode ser utilizada em casos de contraindicação cirúrgica, sendo importante monitorar após o procedimento.
Cirurgia corretiva: hidrocelectomia
A hidrocelectomia é o tratamento padrão para hidrocele em adultos com sintomas persistentes ou volumosos. Consiste na remoção cirúrgica das membranas envolvidas no acúmulo de líquido, recriando o equilíbrio fisiológico no escroto.
Existem diferentes técnicas, incluindo:
- Técnica de Winkelmann: ressecção parcial da túnica vaginal.
- Técnica de Jaboulay: eversion da túnica vaginal.
- Abordagem minimamente invasiva: em centros avançados, algumas técnicas laparoscópicas podem ser aplicadas.
A escolha depende da experiência do cirurgião, condição clínica do paciente e características do hidrocele. A recuperação habitual envolve cuidados locais e restrição de atividades físicas intensas por pelo menos duas semanas.
Tratamento pós-operatório
Após a cirurgia, é fundamental o acompanhamento para monitorar complicações, como hematomas, infecção ou recidiva. Analgésicos e anti-inflamatórios auxiliam no controle da dor, enquanto o suporte escrotal ajuda a minimizar o edema e desconforto.
Implicações Psicológicas e Qualidade de Vida: Benefícios do Diagnóstico e Tratamento
Além dos aspectos clínicos, o impacto do hidrocele em adultos na saúde mental e qualidade de vida não deve ser subestimado. Pacientes frequentemente relatam ansiedade relacionada ao desconforto físico, aparência escrotal alterada e medo de condições graves como câncer. A abordagem multidisciplinar, incluindo o suporte psicológico, pode ser decisiva no sucesso do tratamento.
Ansiedade, imagem corporal e relação sexual
O aumento do volume escrotal pode interferir na autoimagem e autoestima masculina, afetando relações interpessoais e desempenho sexual. A resolução do hidrocele não apenas alivia sintomas físicos, mas contribui para a retomada da vida sexual plena e saudável, reduzindo preocupações com disfunção erétil relacionada ao estresse.
A comunicação clara e empática
Profissionais urologistas devem esclarecer o diagnóstico e as opções terapêuticas com linguagem acessível para garantir compreensão, alinhamento de expectativas e adesão ao tratamento. Esclarecer dúvidas sobre procedimentos, recuperação e possíveis riscos é parte essencial do cuidado centrado no paciente.
Complicações e Prevenção no cuidado do paciente com Hidrocele
A despeito de geralmente ser uma condição benigna, o hidrocele em adultos pode associar-se a complicações que reforçam a importância do diagnóstico precoce e tratamento adequado.
Risco de infecção e inflamação
O acúmulo de líquido pode facilitar a proliferação bacteriana, levando ao desenvolvimento de piocele (coleção purulenta no escroto) ou orquite, que exigem tratamento urgente com antimicrobianos e, eventualmente, intervenção cirúrgica.
Recidiva e manejo em casos refratários
Em alguns pacientes, mesmo após hidrocelectomia, pode ocorrer recidiva. cirurgia urológica , uma reavaliação completa com nova ultrassonografia e possíveis biópsias é necessária para excluir outras patologias e orientar novas abordagens, que podem incluir técnicas cirúrgicas modificadas ou tratamentos adjuvantes.
Prevenção do hidrocele e educação do paciente
É possível reduzir o risco de hidrocele secundário prevenindo traumas escrotais, tratando prontamente infecções do trato urinário, evitando procedimentos urológicos desnecessários e realizando acompanhamento clínico adequado para doenças crônicas que possam se refletir no escroto. A educação sobre higiene íntima e cuidados após intervenções também é fundamental.
Próximos Passos e Recomendações para Pacientes com Suspeita ou Diagnóstico de Hidrocele em Adultos
Reconhecer os sinais iniciais do hidrocele é o primeiro passo para um tratamento eficaz. O aumento progressivo do volume escrotal, sensação de peso e desconforto devem motivar avaliação médica especializada no aparato urológico.
Recomenda-se:
- Agendar consulta com urologista para exame clínico detalhado e realização de ultrassonografia escrotal.
- Relatar quaisquer sintomas associados, como dor, febre ou alterações urinárias, que possam indicar complicações ou outras doenças concomitantes.
- Manter acompanhamento periódico para monitorar evolução e responder prontamente a qualquer alteração.
- Considerar avaliação psicológica em casos com impacto significativo na qualidade de vida.

- Discutir opções terapêuticas alinhando benefícios, riscos e expectativas para definição do tratamento ideal.
Em suma, o manejo do hidrocele em adultos envolve uma abordagem clínica precisa, fundamentada em protocolos atualizados e centrada na experiência do paciente. Uma atuação precoce e assertiva pode significar alívio duradouro, prevenção de complicações e retorno à plena funcionalidade do aparelho urinário masculino.